2008/02/12

José Maria Dos Santos

Esta estória, começa no momento que marcou por completo a vida de José Maria dos Santos, e que foi o seu casamento com a baronesa de São Romão. A baronesa possuía diversas propriedades, o que conduziu a que Esta estória, começa no momento que marcou por completo a vida de José Maria dos Santos, e que foi o seu casamento com a baronesa de São Romão. A baronesa possuía diversas propriedades, o que conduziu a que JMS abandonasse a sua profissão de veterinário, para se dedicar à gestão da fortuna que o casamento Ihe proporcionou.

Nesse sentido, procurou adquirir novas parcelas de terreno, que posteriormente arroteava e cultivava, utilizando os métodos mais modernos, chegando a plantar no Poceirão aquela que viria a ser a maior vinha do mundo, e que ocupava uma área de 2400 hectares, com 6 milhões de cepas, com uma produção anual de 20 a 30 mil pipas de vinho.

As transformações que ocorreram em Portugal no período da Regeneração, com a construção de vias de comunicação e a transformação da estrutura fundiária, tiveram como consequência, um acentuado êxodo rural para as zonas urbanas, provocando o alargamento do espaço económico.

Neste sentido, não podemos separar de toda esta mudança, o desenvolvimento agrícola das zonas que se situam perto da capital e de que Palmela é exemplo, com o alargamento do capitalismo aos campos e a abertura da linha de caminho de ferro do sul em 1861. O comboio passou a assegurar o transporte das pessoas e da produção agrícola, onde os solos arenosos propícios para a cultura da vinha contribuíram de forma decisiva para o seu sucesso foi José Maria dos Santos que iniciou os arroteamentos, utilizando novos processos de trabalho, recorrendo a maquinaria para as arroteias e para a plantação da vinha, com recurso adubos químicos, para rentabilizar os lucros da produção vinícola, de forma a satisfazer o mercado interno e externo.

A exploração das grandes propriedades, com carácter intensivo, tinha necessidade de trabalhadores sazonais, uma vez que a mão de obra local não satisfazia as necessidades do mercado de trabalho, o que conduziu à vinda e posterior fixação nesta zona, de populações vindas do litoral beirão e da região do baixo Mondego. Instalaram-se em localidades já existentes, como Pinhal Novo, em casais isolados ou em de novos aglomerados criados para o efeito. Cultivada nas grandes propriedades sob um regime de monocultura a vinha deteve a supremacia económica no concelho de Palmela. A quebra significativa exportação de vinhos, e o alastramento da filoxera por volta de 1872, que destruiu grandes áreas de vinha, entre as quais a da já referida "maior vinha do mundo" que seria posteriormente reconvertida em Pinhal provocou a sua regressão.

No entanto, a situação é inversa no que diz respeito à pequena propriedade, onde se nota uma aposta no incremento na produção agrícola.

Apesar de alguma estagnação nos anos 40/50 do nosso século, assiste-se ainda à expansão da vinha em explorações de menores dimensões, periféricas às grandes propriedades e que ainda hoje desempenham um papel importante na produção vinícola e na economia local.

António José Santos in Jornal do Pinhal Novo, Ano 1, Nº5

Homem de modesta ascendência, José Maria dos Santos tornou-se em poucos anos figura proeminente e poderosa no sector da agricultura Portuguesa no último quartel do séc. XIX.

Mercê de invulgar capacidade de trabalho, de perseverança, de dinamismo, autêntico génio empresarial, onde não faltava a audácia, o pulso de ferro, a bonomia, a visão a longo prazo...

Títulos nobiliárquicos rejeitou-os a eito. D. Carlos, de quem era amigo, pretendeu distingui-lo. Seu nome era o seu brasão, inteligência e trabalho de que justamente se orgulhava.

Licenciado em Veterinária, conta a tradição popular que foi a sua profissão que o uniu à Baronesa de S. Romão. Senhora distinta, viuva, que tinha uma cadelita de estimação. Encontrando-se esta doente, recorreu aos serviços do Veterinário José Maria dos Santos, acabando este por frequentar o palácio da Lagoa da Palha e casar com a Baronesa, quinze anos mais velha.

Homem empreendedor, poderia ter-se dedicado à veterinária ou viver dos rendimentos, mas não. ~ comodidade da abastança estagnada, opôs o seu espírito empreendedor, aumentando de forma colossal a área das propriedades e transformando-as, de regiões bravias e pantanosas , em terras de cultivo e arvoredo.

Considerado o homem mais rico de Portugal, com uma fortuna a rivalizar com a dos potentados Europeus, mandou plantar, com requisitos ainda hoje correctos a maior vinha, (Rio Frio), o maior montado de sobro (Herdade da Palma), do Mundo e ainda um grande Olival alinhado, que veio a tornar-se mais tarde, o maior de todos existente em qualquer País.

Verdadeiro percursor da colonização interna, as terras que arroteou e tratou nos concelhos de Palmela, Montijo e Alcochete, (antiga aldeia galega), povoou-as ele, fixando os trabalhadores rurais para o que lhes cedia courelas, promovendo até em jeito de brincadeira inúmeros casamentos.

Aos vinte e sete anos, o homem que viera do nado, tinha assento nas Cortes como deputado e par do Reino, um ano depois participava na primeira Direcção da Associação Central de Agricultura Portuguesa, desdobrando-se entre a política e a agricultura. Aliás, apesar de diversos cargos públicos que desempenhou, e da enorme influência eleitoral no concelho de Setúbal, nunca sacrificou a política à devoção que tinha à terra.

Como dizia um dos seus biógrafos, «movia exércitos de trabalhadores, tanto nas vinhas de Rio Frio como nas Herdades Alentejanas, grandes como domínios senhoriais». A obra levada a cabo revestia-se de tal importância no domínio da agricultura e da colonização interna que D. Carlos houve por bem nomeá-lo par do Reino.

Cedeu gratuitamente o terreno para a construção da estação, dando emprego a muita gente vinda de vários pontos do pais favorecendo a fixação das colunas migratórias, empregando nas suas terras e cedendo por vezes parcelas de terra.

E tão arreigado está o sentimento de gratidão dos Pinhalnovenses que, três anos após a sua morte o povo da terra inaugurava o seu busto em bronze (custeado por subscrição pública) a um homem que fora deputado, par do reino e amigo da família Real.

Nascido pobre e honrado, licenciado em veterinária, deixaria à data da sua morte, em 1913, uma fortuna calculada em dez mil contos e propriedades que se estendiam por uma área superior a quarenta mil hectares, qualquer coisa como quatrocentos quilómetros quadrados de terra.

O seu testamento é a prova mais evidente de que José Maria dos Santos era um homem que amava o progresso da região de Pinhal Novo e o desenvolvimento social dos povos. Podemos assim ficar com uma ideia da grandeza e da generosidade do testamento de José Maria dos Santos.

Testamento de José Maria dos Santos

O testamento de José Maria dos Santos recorda os legados dos velhos senhores feudais. Vale a pena deitar-lhe uma olhadela. À sua ex-tutelada D. Maria Cândida S. Romão de Andrade e a seu marido José Maria Andrade deixou todas as propriedades rústicas e urbanas que possuia em Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal. A sua sobrinha Maria Cândida dos Santos Lupi e a seu marido António dos Santos Jorge, deixou todas as propriedades que tinha nos concelhos de Setúbal, Alcochete e Benavente. A seu sobrinho Samuel Lupi, ficaram todas as propriedades que o senhor possuía nos concelhos de Moura e Serpa. Depois deixa a sua sobrinha D. Maria Cândida Jorge 60.000$000 réis; aos habitantes das suas casas da herdae de Palma deixou 1.000$000 réis para serem divididos em partes iguais pelos chefes de familia e a cada um dos seus rendeiros de Lagoa da Palha, Venda do Alcaide, Vale da Vila, Palhota e Pinhal Novo, a quitação do pagamento da renda do ano em que faleceu. E deixou ainda: ao seu amigo Luiz Lamas, 4.000$000 réis; ao seu feitor Elias José Martins, 15.000$000 réis; ao seu antigo criado de quarto, João, 1.000$000 réis; ao seu criado cocheiro, José Martins, 200$000 réis; ao seu afilhado Diogo Rodrigues Mendonça, 3.000$000 réis.

E deixou ainda 1.000$000 réis para serem distribuidos em esmolas, além de grandes quantias a instituições como a Assistência Nacional aos Tuberculosos (2.000$00 réis), Colégio de S. José de S. Domingos de Benfica (1.000$000 réis), Associação Protectora da Primeira Infância (2.000$000 réis) e 1.000$000 réis a cada uma das seguintes instituições: Asilo dos Pobres de Campolide, Asilo de Meninas Cegas, Asilo da Ajuda, Hospitais de Aldeia Galega, Alcochete, Alcácer e Palmela. Deixa ainda a Maria José, filha do seu sobrinho, 20.000$000 réis, e a João Posser de Andrade a quitação das contas entre ambos. Também o feitor da herdade de Palma foi presenteado com 1.000$000 réis. Quanto ao remanescente coube ao seu 1º testamenteiro António dos Santos Jorge e ao 2º testamenteiro Samuel Lupi.

Para se ficar com uma ideia mais aproximada do que representavam estas verbas em 1913, diremos que, nessa altura, e segundo anunciava «O Século» de 19/06/1913, um prédio na Graça, com uma renda de 720$000 réis por ano, custava 7.200$000 réis. Uma mobília de quarto, estilo Luiz XV, podia comprar-se por 120$000 réis. Ainda por essa altura, um automóvel «Michigan» de 20/33 HP, custava 2.000$000, tanto quanto recebeu em testamento a Assistência Nacional aos Tuberculosos. Também por esse tempo, uma incrição para um jantar de luxo num hotel custaria 1$300 réis. Com o dinheiro que recebeu de herança, João, antigo criado de quarto de José Maria dos Santos, poderia tomar 769 dessas refeições.

Podemos, assim, ficar com uma ideia da grandeza e da generosidade do testamento de José Maria dos Santos. E encontraremos mais uma explicação para o facto de, não se encontrar testemunhos negativos ou críticos da personalidade do lavrador.

O que é difícil de entender é a imensa cortina de silêncio que tem vindo a encobrir a memória desse homem. Silêncio e algum mistério. Como é que o filho do ferrador Caetano dos Santos se torna um dos homens mais abastados do país? E como é que, no fim da sua vida, consegue estender uma mão tão generosa no sentido também dos menos afortunados desta vida?
JMS abandonasse a sua profissão de veterinário, para se dedicar à gestão da fortuna que o casamento Ihe proporcionou.

Nesse sentido, procurou adquirir novas parcelas de terreno, que posteriormente arroteava e cultivava, utilizando os métodos mais modernos, chegando a plantar no Poceirão aquela que viria a ser a maior vinha do mundo, e que ocupava uma área de 2400 hectares, com 6 milhões de cepas, com uma produção anual de 20 a 30 mil pipas de vinho.

As transformações que ocorreram em Portugal no período da Regeneração, com a construção de vias de comunicação e a transformação da estrutura fundiária, tiveram como consequência, um acentuado êxodo rural para as zonas urbanas, provocando o alargamento do espaço económico.

Neste sentido, não podemos separar de toda esta mudança, o desenvolvimento agrícola das zonas que se situam perto da capital e de que Palmela é exemplo, com o alargamento do capitalismo aos campos e a abertura da linha de caminho de ferro do sul em 1861. O comboio passou a assegurar o transporte das pessoas e da produção agrícola, onde os solos arenosos propícios para a cultura da vinha contribuíram de forma decisiva para o seu sucesso foi José Maria dos Santos que iniciou os arroteamentos, utilizando novos processos de trabalho, recorrendo a maquinaria para as arroteias e para a plantação da vinha, com recurso adubos químicos, para rentabilizar os lucros da produção vinícola, de forma a satisfazer o mercado interno e externo.

A exploração das grandes propriedades, com carácter intensivo, tinha necessidade de trabalhadores sazonais, uma vez que a mão de obra local não satisfazia as necessidades do mercado de trabalho, o que conduziu à vinda e posterior fixação nesta zona, de populações vindas do litoral beirão e da região do baixo Mondego. Instalaram-se em localidades já existentes, como Pinhal Novo, em casais isolados ou em de novos aglomerados criados para o efeito. Cultivada nas grandes propriedades sob um regime de monocultura a vinha deteve a supremacia económica no concelho de Palmela. A quebra significativa exportação de vinhos, e o alastramento da filoxera por volta de 1872, que destruiu grandes áreas de vinha, entre as quais a da já referida "maior vinha do mundo" que seria posteriormente reconvertida em Pinhal provocou a sua regressão.

No entanto, a situação é inversa no que diz respeito à pequena propriedade, onde se nota uma aposta no incremento na produção agrícola.

Apesar de alguma estagnação nos anos 40/50 do nosso século, assiste-se ainda à expansão da vinha em explorações de menores dimensões, periféricas às grandes propriedades e que ainda hoje desempenham um papel importante na produção vinícola e na economia local.

António José Santos in Jornal do Pinhal Novo, Ano 1, Nº5

Homem de modesta ascendência, José Maria dos Santos tornou-se em poucos anos figura proeminente e poderosa no sector da agricultura Portuguesa no último quartel do séc. XIX.

Mercê de invulgar capacidade de trabalho, de perseverança, de dinamismo, autêntico génio empresarial, onde não faltava a audácia, o pulso de ferro, a bonomia, a visão a longo prazo...

Títulos nobiliárquicos rejeitou-os a eito. D. Carlos, de quem era amigo, pretendeu distingui-lo. Seu nome era o seu brasão, inteligência e trabalho de que justamente se orgulhava.

Licenciado em Veterinária, conta a tradição popular que foi a sua profissão que o uniu à Baronesa de S. Romão. Senhora distinta, viuva, que tinha uma cadelita de estimação. Encontrando-se esta doente, recorreu aos serviços do Veterinário José Maria dos Santos, acabando este por frequentar o palácio da Lagoa da Palha e casar com a Baronesa, quinze anos mais velha.

Homem empreendedor, poderia ter-se dedicado à veterinária ou viver dos rendimentos, mas não. ~ comodidade da abastança estagnada, opôs o seu espírito empreendedor, aumentando de forma colossal a área das propriedades e transformando-as, de regiões bravias e pantanosas , em terras de cultivo e arvoredo.

Considerado o homem mais rico de Portugal, com uma fortuna a rivalizar com a dos potentados Europeus, mandou plantar, com requisitos ainda hoje correctos a maior vinha, (Rio Frio), o maior montado de sobro (Herdade da Palma), do Mundo e ainda um grande Olival alinhado, que veio a tornar-se mais tarde, o maior de todos existente em qualquer País.

Verdadeiro percursor da colonização interna, as terras que arroteou e tratou nos concelhos de Palmela, Montijo e Alcochete, (antiga aldeia galega), povoou-as ele, fixando os trabalhadores rurais para o que lhes cedia courelas, promovendo até em jeito de brincadeira inúmeros casamentos.

Aos vinte e sete anos, o homem que viera do nado, tinha assento nas Cortes como deputado e par do Reino, um ano depois participava na primeira Direcção da Associação Central de Agricultura Portuguesa, desdobrando-se entre a política e a agricultura. Aliás, apesar de diversos cargos públicos que desempenhou, e da enorme influência eleitoral no concelho de Setúbal, nunca sacrificou a política à devoção que tinha à terra.

Como dizia um dos seus biógrafos, «movia exércitos de trabalhadores, tanto nas vinhas de Rio Frio como nas Herdades Alentejanas, grandes como domínios senhoriais». A obra levada a cabo revestia-se de tal importância no domínio da agricultura e da colonização interna que D. Carlos houve por bem nomeá-lo par do Reino.

Cedeu gratuitamente o terreno para a construção da estação, dando emprego a muita gente vinda de vários pontos do pais favorecendo a fixação das colunas migratórias, empregando nas suas terras e cedendo por vezes parcelas de terra.

E tão arreigado está o sentimento de gratidão dos Pinhalnovenses que, três anos após a sua morte o povo da terra inaugurava o seu busto em bronze (custeado por subscrição pública) a um homem que fora deputado, par do reino e amigo da família Real.

Nascido pobre e honrado, licenciado em veterinária, deixaria à data da sua morte, em 1913, uma fortuna calculada em dez mil contos e propriedades que se estendiam por uma área superior a quarenta mil hectares, qualquer coisa como quatrocentos quilómetros quadrados de terra.

O seu testamento é a prova mais evidente de que José Maria dos Santos era um homem que amava o progresso da região de Pinhal Novo e o desenvolvimento social dos povos. Podemos assim ficar com uma ideia da grandeza e da generosidade do testamento de José Maria dos Santos.

Testamento de José Maria dos Santos

O testamento de José Maria dos Santos recorda os legados dos velhos senhores feudais. Vale a pena deitar-lhe uma olhadela. À sua ex-tutelada D. Maria Cândida S. Romão de Andrade e a seu marido José Maria Andrade deixou todas as propriedades rústicas e urbanas que possuia em Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal. A sua sobrinha Maria Cândida dos Santos Lupi e a seu marido António dos Santos Jorge, deixou todas as propriedades que tinha nos concelhos de Setúbal, Alcochete e Benavente. A seu sobrinho Samuel Lupi, ficaram todas as propriedades que o senhor possuía nos concelhos de Moura e Serpa. Depois deixa a sua sobrinha D. Maria Cândida Jorge 60.000$000 réis; aos habitantes das suas casas da herdae de Palma deixou 1.000$000 réis para serem divididos em partes iguais pelos chefes de familia e a cada um dos seus rendeiros de Lagoa da Palha, Venda do Alcaide, Vale da Vila, Palhota e Pinhal Novo, a quitação do pagamento da renda do ano em que faleceu. E deixou ainda: ao seu amigo Luiz Lamas, 4.000$000 réis; ao seu feitor Elias José Martins, 15.000$000 réis; ao seu antigo criado de quarto, João, 1.000$000 réis; ao seu criado cocheiro, José Martins, 200$000 réis; ao seu afilhado Diogo Rodrigues Mendonça, 3.000$000 réis.

E deixou ainda 1.000$000 réis para serem distribuidos em esmolas, além de grandes quantias a instituições como a Assistência Nacional aos Tuberculosos (2.000$00 réis), Colégio de S. José de S. Domingos de Benfica (1.000$000 réis), Associação Protectora da Primeira Infância (2.000$000 réis) e 1.000$000 réis a cada uma das seguintes instituições: Asilo dos Pobres de Campolide, Asilo de Meninas Cegas, Asilo da Ajuda, Hospitais de Aldeia Galega, Alcochete, Alcácer e Palmela. Deixa ainda a Maria José, filha do seu sobrinho, 20.000$000 réis, e a João Posser de Andrade a quitação das contas entre ambos. Também o feitor da herdade de Palma foi presenteado com 1.000$000 réis. Quanto ao remanescente coube ao seu 1º testamenteiro António dos Santos Jorge e ao 2º testamenteiro Samuel Lupi.

Para se ficar com uma ideia mais aproximada do que representavam estas verbas em 1913, diremos que, nessa altura, e segundo anunciava «O Século» de 19/06/1913, um prédio na Graça, com uma renda de 720$000 réis por ano, custava 7.200$000 réis. Uma mobília de quarto, estilo Luiz XV, podia comprar-se por 120$000 réis. Ainda por essa altura, um automóvel «Michigan» de 20/33 HP, custava 2.000$000, tanto quanto recebeu em testamento a Assistência Nacional aos Tuberculosos. Também por esse tempo, uma incrição para um jantar de luxo num hotel custaria 1$300 réis. Com o dinheiro que recebeu de herança, João, antigo criado de quarto de José Maria dos Santos, poderia tomar 769 dessas refeições.

Podemos, assim, ficar com uma ideia da grandeza e da generosidade do testamento de José Maria dos Santos. E encontraremos mais uma explicação para o facto de, não se encontrar testemunhos negativos ou críticos da personalidade do lavrador.

O que é difícil de entender é a imensa cortina de silêncio que tem vindo a encobrir a memória desse homem. Silêncio e algum mistério. Como é que o filho do ferrador Caetano dos Santos se torna um dos homens mais abastados do país? E como é que, no fim da sua vida, consegue estender uma mão tão generosa no sentido também dos menos afortunados desta vida?

1 comentário:

Pedro Sinfrónio disse...

Um Grande Português. É de gente como o excelentíssimo José Maria dos Santos que Portugal precisa. Sou de Moura e prezo muito a memória deste Digníssimo Senhor. Seja divulgada a sua obra para que não se perca o seu espiríto.


Pedro Brito Sinfrónio